.mais sobre nós

.pesquisar

 

.Novembro 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. A relação entre os pais d...

. A mãe que nada faz!

. Pôr o bébé a arrotar

. Um colo vazio . . .

. O papel do papá!

. Dizem os antigos. . .

. Chicco outlet

. Os Primeiros Meses da Gra...

. Planear o Bébé

. (Continuação)... onde pod...

.arquivos

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Abril 2009

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Julho 2007

. Maio 2007

. Março 2007

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds

Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Um colo vazio . . .

Depois do choque de ter nas mãos pela segunda vez um teste de gravidez positivo, no meu coração instalou-se a maior das alegrias. 

Ia ter a graça de ser mãe pela segunda vez!  Não parava de pensar em como iria ser ter dois bebés em casa, pois o meu filho teria 21 meses quando nascesse o mano ou a mana, mas não tinha medo e estava muito excitada pela chegada da cegonha.

 

O que me arreliava no meio desta alegria era ser criticada pelas pessoas devido ao facto de estar grávida novamente tendo ainda um filho ainda tão pequenino.

Abro aqui um parêntesis para dizer a quem está na mesma situação que não liguem ás más línguas. Cada casal sabe de si e ter um filho próximo do outro não é uma tragédia. Para dizer a verdade sempre me vi mãe de dois ou três em escadinha. :-)

 

O ínicio da gravidez foi optimo pois não tinha um único sintoma de estar grávida e estava ansiosa pela primeira ecografia que fiz ás seis semanas e que me confirmou a gravidez. Pouco se notava o bébé,mas o seu coração já batia. 

 

Tal como na primeira gravidez também tinha as mesmas dores e a placenta descolada e claro está, tive de fazer o repouso do costume.

Não sei bem porquê, chamem-lhe ou não instinto, e ao contrário do que aconteceu na primeira alguma coisa me dizia que esta gravidez não iria ter o mesmo desfecho.

Aguardei angustiada pela ecografia das 12 semanas que tardou em chegar.

 

No final de Novembro lá chegou o dia da ecografia e não imaginam " a pancada" que nós levamos quando o médico nos disse que o coração do bébé não batia . . .

 

Pelas contas, teria morrido perto das dez semanas, sem motivo aparente, pois não se notava nenhuma anomalia e estava praticamente todo formado. A imagem daquele pequeno ser não me saia da cabeça e quase deixei de pensar e ouvir pelo choque que senti naquela altura. Penso que desnorteada é a melhor palavra para descrever aquele momento, quase  nem ouvi o resto da consulta e nem queria acreditar quando o médico me disse que o normal era esperar quatro semanas após a determinação do óbito para que o corpo expulsasse o bebé e só após essa data seria efectuado algum procedimento necessário.

E ainda me faltavam esperar quase duas semanas! . . .

 

Chorámos tanto nos dias a seguir, eu não podia pensar que o bebé que eu tinha visto com mãos , braços , pernas, etc... poderia sair a qualquer momento e que a última morada daquele ser tão querido e desejado eram as fossas municipais junto ao esterco de toda a gente.

Não lhe poderia ver, abraçar, beijar e fazer um funeral digno  de alguem. A espera estava a matar-me por dentro.

Precisava de um ponto final na situação e não o tinha!

 

As pessoas diziam-me que tinha de ultrapassar e seguir em frente pois sou ainda nova e tenho um filho muito pequeno, mas como poderia avançar se ainda tinha um bebé morto dentro de mim.

É aquilo a que chamam um aborto retido!

 

Tive tanto nojo, vergonha, medo, sentia-me uma aberração pois sabia que olhavam para mim e sabiam o que lá estava. Deixei de me sentir uma mãe para me sentir um caixão ambulante. E depois juntou-se a incerteza de quando iria ser, como iria ser, se doía ou não, se era na rua (comecei a levar uma muda de roupa sempre comigo quando saia), ou se seria assistida no hospital. Tive mais de oito dias a perder um pouco de sangue e nada mais. 

Quis Deus que a natureza não seguisse o seu caminho e o bebé não saiu sózinho.

 

Então nesta segunda dia 10 de Dezembro dirigi-me á maternidade para me provocarem o parto. Eu sabia que não era possível, mas no fundo tinha esperança que houvesse um  milagre e que ele tivesse vivo.

 

Deixei de conseguir falar e só chorava, no hospital nem conseguia dizer de quantas semanas estava. Curiosamente não tive medo apenas chorei pela enorme tristeza que tinha.

Fui observada na maternidade e mais uma vez se confirmou o diagnóstico, tinha morrido.

Mas o meu médico que é um anjo na terra internou-me na ginecologia e não na maternidade.

 

Graças a uma enfermeira o meu marido pode estar todo o tempo comigo e só a sua presença me ajudou a superar as horas de internamento e as dores de um trabalho de parto induzido e sem anestesia. Foram contracções muito rápidas e muito dolorosas,mal tinha tempo para respirar, e chorei tanto, não pelas dores mas por passar por tudo aquilo e não ter ninguem para levar para casa.

 

Depois pareceu uma garrafa de champanhe, rebentou-se qualquer coisa e fiquei encharcada em água morna. Comecei a perder imenso sangue e contudo o bebé não saiu.

Já no fim da tarde fui observada e o médico conseguiu tirar todo o bebé sem ser necessária uma raspagem. Este procedimento foi feito no piso da maternidade e mais uma vez vi os bebés das outras e eu sem nenhum.

 

Voltei para casa com um vazio enorme e com uma grande sensação de perda.

Abracei tanto o meu filho quando cheguei e não queria tira-lo mais do colo, precisava desesperadamente do seu cheiro a bebé  e do seu toque macio.

 

Tentam animar-me dizendo que já passou e que tenho de seguir em frente, mas como posso pensar em seguir em frente quando acabei de perder um filho, pois era isso que ele era, um filho.

 

Não oiço dizerem isso a alguem que perde um bebé com mais semanas de gestação, ou a alguém que perde mesmo um filho; nessas alturas todos dizem " pois é , deve ser uma dor muito grande, perder assim alguem", e porque é que a mim ninguém diz isso?! Porque não me dizem para chorar e fazer o meu tempo de luto e porque me obrigam a seguir em frente e a fingir que nada aconteceu?

 

Claro que são situações diferentes as que acima  refiro e que cada caso de aborto é diferente do outro mas o meu bebé também era alguem ou será que por ter morrido tão cedo deixou de ter significado?

 

Eu sei que o mundo não acabou e claro que seguirei em frente, mas neste momento só se passaram quatro dias, ainda estou dorida e ainda tenho o corpo a ajustar-se a tamanha mudança. Como se tudo não bastasse  ainda me apareceu colostro!

 

Estou muitissimo revoltada e sinto-me um animal desorientado há procura da minha cria. Sinto-me sózinha e tenho a sensação que ningúem me compreende.Quero o meu bebé e não o posso ter!  Enfim . . . sinto-me mal.

 

 

 

 

 

 

 

publicado por maria às 20:37

link do post | favorito
De Adriana a 5 de Janeiro de 2008 às 21:09
Maria,

Que seu bebezinho esteja no ceu junto dos anjos a te ver, e torcendo para vir um outro anjinho logo que possível, quando chegar a hora para acompanhar e dá alegria junto de seu outro filho. Deve ser uma sensação horrível Maria, estou grávida de 6 meses, e sinto completamente ligada a minha filha, esperando ansiosamente por sua chegada, Deus me livre de uma situação dessa, mas Ele estará sempre ao nosso lado. Chore o que for preciso, e lembre-se e peça sempre a ajuda de Deus porque só Ele, e força, força sempre!

Que 2008 seja um ano repleto de realizações para vossa família.
Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres